BANCO DO BRASIL O banco pode não ter vendido correntes, mas financiou quem lucrava com elas.
Um texto direto para escancara o papel do Banco do Brasil na sustentação de um sistema construído na exploração do povo preto. Mais do que passado, é sobre uma estrutura que ainda hoje decide quem tem acesso e quem fica de fora.
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FAVELADO PENSANTE
4/15/20263 min read


BANCO DO BRASIL
O banco pode não ter vendido correntes, mas financiou quem lucrava com elas.
Bora trocar uma ideia real e verdadeira, sem passar pano e sem esse papo bonito que a história oficial gosta de contar, na verdade, gosta de mentir e omitir as barbáries que elas cometem e jogam pra debaixo do tapete.
O Banco do Brasil foi criado em 1808, trazido por Dom João VI, o Brasil já era um dos maiores territórios escravocratas do mundo. Não era um detalhe da economia ou renda extra, era a própria economia.
Tudo girava em torno da exploração de pessoas negras. O café, o açúcar, o ouro, nada disso existia sem o trabalho forçado, não remunerado e assassino. E com toda essa movimentação financeira, exploração, precisamos entender o papel do banco nisso tudo.
O banco não era só um lugar pra guardar dinheiro. Ele era o coração financeiro do sistema, ele que organizava crédito, sustentava produção, fortalecia quem já tava no topo.
E quem tava no topo naquela época? A elite branca escravocrata.
Então vamos parar de romantizar: o banco não precisava estar no mercado de compra e venda de pessoas escravizadas pra lucrar com a escravidão. Ele fazia algo mais estratégico: financiava quem enriquecia com ela, dava dinheiro para a compra de mais pessoas e guardava o dinheiro de quem vendia pessoas escravizadas.
Imagina a cena:
Um fazendeiro precisava expandir sua produção de café, mais terra, mais estrutura, mais “mão de obra” que vem dos trabalhadores não remunerados, forçados a trabalhar até a exaustão.
Ele não ia no banco dizendo “quero dinheiro pra explorar pessoas”.
Mas era exatamente isso que acontecia na prática.
O dinheiro chegava… a produção crescia… o lucro aumentava… e quem pagava essa conta continuava sendo o povo preto.
Sem salário. Sem direito. Sem escolha.
Agora me diz, isso não é participação direta?
Porque tem muita instituição que gosta de dizer:
“Ah, mas a gente não vendia escravos”
Beleza.
Mas bancava quem vendia, comprava e explorava.
É tipo lavar a mão com sangue invisível e dizer que tá limpo.
E quando chegou 1888, com a Abolição da Escravatura no Brasil, muita gente fala como se fosse um ponto final.
Mas pra população negra, foi só o começo de outro tipo de abandono.
Porque ninguém recebeu terra.
Ninguém recebeu indenização.
Ninguém recebeu acesso a crédito.
E adivinha quem controlava o crédito?
O mesmo sistema.
Os mesmos bancos.
A mesma lógica.
O Banco do Brasil continuou operando, mas agora num país “livre” onde só alguns tinham acesso ao futuro.
Enquanto isso, o povo preto foi empurrado pra margem.
Pra favela. Pra informalidade. Pra sobrevivência.
E isso não aconteceu por acaso.
Isso foi PROJETO!
Agora vamos avançar um pouco mais no tempo.
Durante décadas, o banco no Brasil foi sinônimo de exclusão.
Conta bancária não era realidade pra maioria da população negra.
Crédito então? Nem se fala.
Pra quem já tinha dinheiro, o banco era oportunidade.
Pra quem não tinha, era uma parede, mais um obstáculo gigantesco.
E aí vem aquela conversa de meritocracia…
Mas como que compete num jogo onde um lado começa com herança e o outro começa com dívida histórica, um lado cheio de crédito e o outro lado tendo de achar lugar para morar e qualquer coisa pra comer, sem perspectiva de futuro, sem apoio algum, como saneamento básico, direito à educação, saúde e moradia? E tem um detalhe que fala alto, mesmo quando ninguém quer falar:
Olha quem sempre ocupou o topo, nem vou colocar aqui os sobrenomes, as famílias centenárias.
Olha a presidência do banco ao longo da história.
Demorou mais de 200 anos para o Banco do Brasil colocar uma pessoa negra naa presidência, atualmente é presidida por uma mulher negra. Tarciana Medeiros que assumiu o cargo em janeiro de 2023, tornando-se a primeira mulher e também a primeira pessoa negra a liderar a instituição em mais de 200 anos de história.
Num país onde a maioria da população é preta.
Isso não é só coincidência.
Isso é estrutura.
É o reflexo de um sistema que foi desenhado lá atrás e que continua se protegendo até hoje, guardando privilégios para si mesmos.
E antes que alguém diga:
“Ah, mas hoje o banco é outro”
Sim, mudou muita coisa.
Mas a estrutura não muda só com discurso.
Ela muda com reparação.
Com inclusão real. Com acesso. Com respeito.
E principalmente: com reconhecimento do passado.
Porque enquanto a história for contada pela metade, a desigualdade continua inteira.
No fim, a pergunta não é se o banco vendia escravos.
A pergunta é: quem ele escolheu fortalecer?
E a resposta tá na história.
O banco pode não ter vendido correntes…
mas ajudou a manter quem lucrava com elas no topo.
E até hoje, o topo ainda não parece com o Brasil de verdade, um Brasil da gente.
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